André Gilberto Boelter Ribeiro


Textos, Artigos Públicados, Reportagens citadas, Fotos, entre outros assuntos.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Relações Públicas no terceiro setor: confronto e compromisso


São freqüentes as discussões em torno da absorção do aluno formado em Comunicação Social, habilitação relações públicas, pelo mercado de trabalho atual, principalmente, em sala de aula, entre alunos, professores e profissionais (quando convidados). Cada vez mais freqüentes são, também, as afirmações de que o terceiro setor aparece como um mercado “novo” e promissor para os profissionais de relações públicas. A inquietação que surge diante deste “novo” cenário, é saber se este profissional estaria apto a cumprir o seu papel de gestor dos processos comunicacionais do terceiro setor.
A proposta deste texto, portanto, é trazer à tona algumas reflexões e recortes bibliográficos sobre o exercício profissional de relações públicas na área do terceiro setor, que possam nortear uma investigação mais profunda, sem a obrigatoriedade de serem conclusivos.
O estímulo principal para buscar informações sobre este tema é resultado de algumas experiências isoladas de grupos de alunos que partiram para atividades práticas e desenvolvimento de projetos experimentais ligados ao terceiro setor, cujas situações nos mostraram que o envolvimento pessoal traz novas exigências, com novas posturas, além de novos conhecimentos. Além disso, as abordagens teóricas também devem subsidiar um projeto de pesquisa cuja ementa é a seguinte:

Os investimentos sociais das empresas estão obtendo cada vez mais atenção por parte dos meios de comunicação, bem como pela sociedade em geral. Em contrapartida, as empresas intensificam suas atividades voltadas para as comunidades, firmando a sua imagem como empresa-cidadã, pois já se deram conta do valor estratégico de uma gestão socialmente responsável, percebendo os resultados positivos, como a ampliação de sua aceitabilidade e legitimidade organizacional. Neste contexto, busca-se fazer algumas reflexões sobre as formas de atuação das empresas, geralmente, fundamentadas num discurso de responsabilidade social, mas que nem sempre são condizentes com sua conduta social. Partindo deste universo discursivo e prático das empresas, o objetivo do trabalho é analisar os projetos sociais realizados pelas mesmas, identificando o processo comunicativo que faz parte dos sistemas e práticas de comunicação interna e externa das organizações. Avalia-se, também, neste contexto, a participação de profissionais de relações públicas como gestores de programas e projetos de cunho social no âmbito das organizações.


O terceiro setor, segundo FERNANDES (1994), teórico nacional, é o termo que vem sendo utilizado para designar o conjunto de iniciativas provenientes da sociedade, voltadas à produção de bens públicos, como, por exemplo a conscientização para os direitos da cidadania, a prevenção de doenças transmissíveis ou a organização de ligas esportivas. Setor independente, setor voluntário, setor não-lucrativo,entre outros, são termos diferentes para fazer referência a este mesmo setor, que reúne organizações bastante heterogêneas, com fins públicos.
O terceiro setor vem se firmando no Brasil aos poucos. Estudos e pesquisas neste campo ainda pouco conclusivos, tem obtido maior ênfase no enfoque organizacional. Ainda permanece um questionamento sobre o que constitui exatamente o terceiro setor, sendo identificadas insuficiências na gestão das organizações que dele fazem parte, com falta de profissionais capacitados.
Este cenário traz novos desafios, como entender a lógica de funcionamento e organização do terceiro setor, além de propor contribuições de ordem prática para torná-lo mais eficiente na condução de suas ações. Para FALCONER (1999),

embora o terceiro setor esteja sendo alçado a uma posição de primeira grandeza, como “manifestação” da sociedade civil e parceiro obrigatório do Estado na concepção e implementação de políticas públicas, a realidade deste setor, quanto ao grau de estruturação e capacidade de mobilização, ainda está muito aquém da necessária para que cumpra os papéis para os quais está sendo convocado, seja por características políticas e culturais brasileiras, como a alegada “falta de tradição associativa”, seja por deficiências na gestão destas organizações.

A discussão sobre o tema, de certa forma, pode e deve incluir duas situações principais: (1) o profissional que atuará dentro das empresas privadas e que irá desenvolver ações para fortalecer e exercer a cidadania empresarial e a responsabilidade social; (2) o profissional que irá trabalhar diretamente nas organizações sem fins lucrativos, ou melhor, nas organizações que compõem o terceiro setor.
Em relação a primeira situação é possível identificar como questões centrais a prática da responsabilidade social e a adoção do discurso de cidadania empresarial, principalmente no que diz respeito às ações empresariais junto à comunidade. A finalidade aqui é compreender melhor o que significa exatamente ser uma empresa-cidadã e questionar o uso “fácil” do termo cidadania, em nossa sociedade, e particularmente, explorado no meio empresarial.

Empresa-cidadã

DAGNINO (1994), no artigo Os movimentos sociais e a emergência de uma nova noção de cidadania, fazendo considerações sobre o uso desta expressão e historiando sobre sua origem e evolução, observa que o seu uso tem sido feito com sentidos e intenções diferentes, nem sempre condizentes com o sentido original e inovador.
A idéia de cidadania remonta à polis grega, com a noção de cidadão, num contexto em que se mantinha a hierarquização social e a exclusão social. Nos dias de hoje fala-se de uma nova cidadania ou cidadania ampliada (DAGNINO,1994), que ainda está sendo construída pelos movimentos sociais e por atores de identidades diversas, principalmente na América Latina, tendo como itens principais, conforme situa Scherer-Warren (1999):
(1) o reconhecimento do direito a ter direitos, principalmente garantindo os direitos dos “excluídos sociais”; (2) conquista de novos direitos, os chamados direitos de “terceira geração (ecológicos, de gênero, étnicos etc.); (3) o cumprimento dos direitos, das leis estabelecidas e não praticadas no Brasil.
Esta autora enfatiza que a ampliação dos direitos de cidadania está relacionada aos processos de democratização da sociedade, onde, certamente, empresas privadas e organizações que compõem o terceiro setor tem participação fundamental, mesmo que em escalas diferenciadas.
O setor empresarial, cada vez mais, está entendendo e investindo em questões públicas. Na década de 1990 intensificou sua ação no social, assumindo-a como uma estratégia. Mas os resultados da pesquisa “ A atuação social das empresas – percepção do consumidor” do Instituto Ethos de Responsabilidade Social e do Valor, mostram que os consumidores cobram coerência nas ações das empresas. Os trabalhos realizados junto à comunidade devem fazer parte de uma prática que permeia toda a conduta dos negócios. Ou seja, exige-se consistência e coerência nas ações empresariais, ou no termo mais atual, uma atuação com responsabilidade social, o que pressupõe um comprometimento com toda a cadeia produtiva da empresa.
O termo cidadania empresarial, disseminado no Brasil a partir de meados da década de 1980, especialmente fomentado pelo trabalho do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), o qual congrega empresas, fundações empresariais e institutos ligados a empresas que apóiam iniciativas sociais, tem sido utilizado para descrever o papel de responsabilidade social e ambiental das empresas. A construção conceitual do terceiro setor deve-se ao reconhecimento da importância do trabalho das Organizações Não Governamentais (ONGs), pela sociedade globalizada, a partir dos anos de 1980, mas o GIFE foi o principal responsável pela popularização, no Brasil, da expressão terceiro setor.
Para uma maior compreensão do termo cidadania empresarial, buscamos algumas definições:
Para SCHOMMER (1999) cidadania empresarial pode ser definida como “uma relação de direitos e deveres entre empresas e seu âmbito de relações e como participação ativa das empresas na vida de suas cidades e comunidades, participando das decisões e ações relativas ao espaço público em que se inserem”. Portanto, predomina a idéia de cidadania entendida como relação de direitos e deveres, onde a empresa é independente de seus instituidores, possuidora de direitos e deveres no seu âmbito de atuação. A autora esclarece que a idéia de cidadania baseia-se na igualdade, o que torna difícil determinar que funções uma empresa deve cumprir para ser considerada cidadã, já que a cidadania também não se limita à lei. Cada sociedade cria uma imagem ideal de cidadania, o que resulta em diferentes visões de cidadania empresarial em cada país ou região e em cada época distinta.
Para MELO NETO & FROES (1999) “a cidadania empresarial é um novo conceito que surgiu em decorrência do movimento de consciência social que vem sendo internalizado por diversas empresas. Objetiva conferir uma nova imagem empresarial para aquelas empresas que se convertem em tradicionais investidoras em projetos sociais”. Trata-se de um diferencial competitivo, com uma nova postura empresarial – “empresa que investe recursos financeiros, tecnológicos e de mão-de-obra em projetos comunitários de interesse público. (...) Esta torna-se cidadã quando contribui para o desenvolvimento da sociedade através de ações sociais direcionadas para suprimir ou atenuar as principais carências dela em termos de serviços e infra-estrutura de caráter social”. A idéia predominante sobre cidadania empresarial, neste contexto, é o exercício pleno da responsabilidade social, mas que funciona como um investimento estratégico.
O profissional Lesly (1995), uma das autoridades americanas em relações públicas, afirma que a organização “é um cidadão organizacional” por ser “ um elemento da comunidade (o que inclui a nação e o mundo). Ela tem as responsabilidades de um cidadão frente à comunidade”.
As colocações de Chanlat (1999) estão próximas a definição dada por Lesly. O autor entende que uma empresa ou qualquer organização “ser socialmente responsável é avaliar os efeitos de suas ações sobre a comunidade próxima. É agir enquanto “cidadã”(aspas do autor) , isto é, no respeito às regras instituídas pela sociedade”. E prossegue:

É preocupar-se, além disso, com o nível de consequências deletérias de seus atos ou produtos que fabrica. É possuir uma preocupação aguda de coesão e da solidariedade social. É preocupar-se com todos os que tenham direito e não apenas os acionistas. Resumindo, a recusa em ganhar fazendo perder toda a sociedade. Em relação à preservação ambiental, é preocupar-se com os efeitos de suas atividades produtivas sobre o equilíbrio ecológico a fim de assegurar que se legará um planeta onde se possa viver para as futuras gerações.

O que se percebe é que o setor empresarial, busca formas de atuação que colaboram com o processo de consolidação da democracia e do desenvolvimento social, por meio de programas de voluntariado empresarial e ações de filantropia (estratégica), promovendo benefícios e melhoras junto à comunidade, com atividades centradas em aspectos sociais, sem fins lucrativos ou mesmo com interesse econômico, que geram bens e serviços de caráter público. Como explica FALCONER (1999):

Não se trata exclusivamente de filantropia, no sentido de caridade desinteressada, mas de enlightened self-interest, ou investimento estratégico: um comportamento de aparência altruísta, como a doação a uma organização sem fins lucrativos, que atende também a interesses (mesmo que indiretos) da empresa, com a contribuição à formação de uma imagem institucional positiva ou o fortalecimento de mercados consumidores futuros. Na defesa de seu próprio interesse de longo prazo, empresas adotam a prática de apoiar atividades como projetos de proteção ambiental, promoção social no campo da educação e saúde, dentre outros. O envolvimento de empresas se realiza tipicamente através de doações de recursos, da operação direta de programas, ou através de relações genericamente denominadas “parcerias” com organizações da sociedade civil.

Este tipo de “investimento estratégico” explicado por Falconer, bem como a prática da cidadania empresarial nos “moldes” descritos por SchoMmer (1999) e Melo Neto & Froes (1999), tem suscitado algumas discussões de cunho ético, sobre a validade do uso de tal repertório em prol dos interesses mercadológicos das empresas. A preocupação aqui é entender se a intenção da empresa que investe socialmente visa apenas desenvolver seu “marketing”, buscando obter apenas lucro, e camufla tais objetivos fazendo uso do terceiro setor.Ou está mesmo preocupado com as questões sociais, e tem como objetivo promover o bem social.
Em artigo recente da Revista Veja, o administrador Stephen Kanitz (2002) diz que “hoje a grande moda é premiar empresas socialmente responsáveis, não entidades que há muito vêm fazendo o bem sem alarde”. E critica:

Antigamente, marketing social era o que as entidades faziam para aparecer. Agora significa tornar empresas socialmente visíveis a todo custo. Doar anonimamente, como rezam todas as religiões, nem pensar. A filantropia por parte das empresas vem caindo ano a ano, porque muitas preferem montar o próprio instituto com o nome da marca da empresa. (...) Ao se decidirem por um projeto próprio, muitas companhias preferem não mais apoiar causas como a hanseníase, a prostituição infantil, o abuso sexual, a velhice, a cegueira, considerados “mercadologicamente incorretos”. Departamentos de marketing de empresas “socialmente responsáveis” acham melhor apoiar causas como educação, crianças ou ecologia. Criança é mais fotogênica que idoso ou leproso. Empresa não quer, nem pode, ter sua marca associada a um problema social “mercadologicamente incorreto”, e quem perde são os mais necessitados.


Há várias discussões sobre o papel das empresas na dinâmica social, onde algumas posições defendem que pagar impostos corretamente, cumprir a legislação, cuidar bem do seu negócio e gerar lucros é suficiente para o cumprimento de sua função social. E a propósito da afirmação de Dagnino (1994) sobre o sentido da expressão cidadania, cabe questionar se o seu uso, de fato, é apropriado no contexto empresarial, onde a igualdade não passa de um fetiche, onde as relações de poder são geralmente hierarquizadas e onde muitas vezes as ações sociais são interpretadas como dádivas.
Entende-se que, na perspectiva das organizações que visam lucro, ao adotarem o discurso da cidadania empresarial e responsabilidade social, a sociedade tem o direito de cobrar coerência em suas ações. E neste processo de informação e comunicação, é fundamental o trabalho de relações públicas.




Gestão e Comunicação

Baccega ( 2002) alertando sobre as várias possibilidades de abordagem dos estudos do campo da comunicação (grifo da autora), enfatiza que “para os estudos e a prática dos processos comunicacionais, nem só a emissão, nem só a recepção: o homem vive e se forma na práxis, da qual é parte integrante”, e é aí o campo de atuação do gestor de comunicação. Para a autora o comunicador deve ser “capaz de perceber a dinâmica da vida social, a gestação do novo manifestada no cotidiano, a diassincronia manifestada nas interações, as tecnologias como mediadoras privilegiadas pela condição que têm de ampliar, redimensionando, a própria vida social”. Entende que é imprescindível uma formação humanística que possibilite ao profissional “perceber a ação interativa das questões sociais; oferecer-lhe condições de alargamento da sensibilidade, sem a qual ele não conseguirá abandonar o automatismo das decisões prontas.
Se Baccega (2002) apresenta um perfil “ideal” de um gestor de processos comunicacionais, Chanlat (1999) vai mais além em suas reflexões, avaliando a relação atual entre as ciências sociais e gestão. Ambos chamam atenção para a necessidade de levar em conta as transformações sociais que ocorreram nas últimas décadas. Chanlat (1999) fundamentando-se nas ciências sociais, aponta como principais (1) a hegemonia do econômico; (2) o culto da empresa; (3) a influência crescente do pensamento empresarial sobre as pessoas. Baccega (2002) assinala as mudanças ocorridas nas áreas políticas e tecnológica, enfatizando a busca por uma “visão não compartimentada do saber, uma visão totalizadora dos problemas da sociedade, na qual a comunicação e cultura se entrelaçam, redimensionando-se o conceito e a prática da comunicação”. Neste contexto ela afirma que “o gestor de processos comunicacionais deverá dar conta do uso crítico das tecnologias, já presentes em cada uma das opções profissionais da área de comunicação social, de forma a saber planejar seu uso com a máxima eficácia, adequando –se aos objetivos do novo mundo que se constrói”.
O culto à empresa, que atingiu seu apogeu nos anos 80, teve duas conseqüências importantes, segundo Chanlat (1999): “a difusão massiva dos discursos e das práticas de gestão em setores mantidos até então fora da influência do “espírito gestionário” e o aumento considerável do número de estudantes em gestão em toda parte do mundo”. A conjugação desses dois fenômenos provocaram a emergência de uma sociedade qualificada por ele como ”managerical”, “no interior da qual o gestor ou “homo administrativus” (expressão de Richard Déry ), passou a ser uma das figuras dominantes.
Para Chanlat (1999) essa sociedade “managerical” tem múltiplas manifestações. Ficam evidenciadas no contexto lingüístico, por intermédio do uso constante das palavras “gestão, gerir e gestor” nas comunicações cotidianas. Do ponto de vista da organização, o autor menciona a invasão ocorrida nas escolas, universidades, hospitais, administração públicas, serviços sociais, museus, teatros, associações musicais e organizações sem fins lucrativos, das noções e princípios administrativos originários da empresa privada, tais como: eficácia, produtividade, “performance”, competência, empreendedorismo, qualidade total, cliente, produto, marketing, desempenho excelência, reengenharia etc. E por fim, do ponto de vista social, pode-se observar o quanto os empresários, os gestores, os executivos formam grupos de influência em nossos dias.
Para o autor, o gestor transformou-se em uma das figuras centrais da sociedade contemporânea, buscando racionalizar todas as esferas da vida social, além de afetar significativamente a esfera da vida privada.
A partir das considerações feitas por Baccega (2002) e Chanlat (1999), nossa questão aqui é procurar entender qual a real contribuição e que implicações um gestor de comunicação, com a formação em Relações Públicas, pode trazer para o terceiro setor.

O profissional de Relações Públicas atuando como gestor de processos comunicacionais

Parte-se da premissa, que, de fato, diante da necessidade que o terceiro setor tem de um gestor competente dos processos comunicacionais, a formação de relações públicas corrobora para que esse profissional possa exercer este papel, desde que acrescida de uma sólida formação humanística e a clara compreensão do papel do terceiro setor, seja dentro da iniciativa do setor privado atendendo o interesse público, o bem comum, ou diretamente vinculado às organizações comunitárias não-governamentais e não lucrativas.
Há um consenso por parte de vários autores que estão pesquisando sobre o assunto de que simplesmente transferir conhecimentos e técnicas aplicados no setor privado e na administração pública não é garantia de sucesso no terceiro setor. Na área da administração, Falconer (1999), expressa essa preocupação, questionando se o conhecimento aplicado na administração de empresas com finalidade de lucro e da administração pública se aplica igualmente ao terceiro setor: “Há um novo campo de conhecimento ou trata-se, apenas, de ensinar Administração a quem, reconhecidamente, entende pouco do assunto?”
Trazendo esta problemática para o campo da comunicação, mais especificamente para as relações públicas, constata-se que em vários textos, entre eles, (Peruzzo, 1999; Kunsch 2001; Henriques e Pinho Neto , 2001) apontam para a necessidade de novas formas de atuação por parte do profissional da área.
Peruzzo (1999) destaca as características de um trabalho comunitário e com comunidades, reforçando que dentro da perspectiva de responsabilidade social, a comunicação é algo de substancial importância (...), sendo decorrente de outros processos de ação, estratégias, produtos e atividades concretas e neles imbricada. Chama atenção para o redirecionamento metodológico a ser adotado pelas relações públicas, condicionado ao sentido da ação, onde já não há mais espaço para a lógica da ação unidirecional, autoritária e de cunho propagandístico.
Kunsch (2001) avalia que os pressupostos teóricos de relações públicas, “que têm como objeto de estudo as organizações, os públicos e a opinião pública, com ênfase nos aspectos institucionais e no gerenciamento da comunicação organizacional, são únicos e válidos para aplicação também no âmbito do terceiro setor”. Acentua ainda que “o mesmo se pode dizer das técnicas e dos instrumentos disponíveis, mudando apenas a forma, os recursos e a maneira de empregá-los.”
Mas a autora concorda que um trabalho de relações públicas no terceiro setor impõe novas exigências ao profissional, com posturas e ajustamentos específicos, de acordo com a natureza e as tipologias das organizações com a que está engajado.
Henriques & Pinho Neto (2001) confirmam a necessidade de uma renovação metodológica para a realização de diagnóstico e planejamento de comunicação em projetos de mobilização social, identificando a co-responsabilidade e participação dos atores sociais; a visibilidade e os fatores de identificação do projeto mobilizador; e a difusão de informações qualificadas de caráter pedagógico, como aspectos fundamentais na busca desta metodologia de ação no contexto do terceiro setor. Mas julgam “inconveniente e inadequada a mera transposição a este campo de conceitos e técnicas aplicados ao diagnóstico e ao planejamento da comunicação para empresas ou para administração pública”.
Embora os posicionamentos aqui citados possam divergir em alguns pontos, principalmente se o conhecimento já disponível na área de relações públicas, satisfaz ou não, às necessidades do terceiro setor, há um consenso sobre a importância do trabalho de comunicação para o seu desenvolvimento, bem como, o entendimento de que se trata de um campo a ser “explorado” pelo profissional de relações públicas. Sem dúvida, o instrumental de relações públicas tem muito a contribuir na gestão da responsabilidade social das empresas, bem como, na gestão dos processos comunicacionais das organizações que fazem parte do terceiro setor.
Entretanto, não obstante a necessidade do domínio da técnica e do conhecimento, o que deve permanecer como questão vital é a identificação do indivíduo (profissional) com o projeto do terceiro setor, onde a sociedade civil ocupa espaço essencial na luta pela construção da cidadania, a qual impõe um processo de transformação de práticas arraigadas na sociedade e que exigem um aprendizado social, de construção de novos tipos de relações sociais. O que está em jogo , segundo DAGNINO (2000), “ é o direito de participar na própria definição desse sistema, para definir de que queremos ser membros, isto é, a invenção de uma nova sociedade”. Trata-se da necessidade do que ela traduz como pertencimento.
Neste contexto, a definição de gestor de processos comunicacionais dada por SOARES e COSTA (2002) é bastante esclarecedora: “O Gestor de Processos Comunicacionais é o profissional mediador que atua em diversos campos da sociedade e do saber e que utiliza seus conhecimentos em Ciências da Comunicação para diagnosticar problemas e para desenvolver pesquisas e projetos de intervenção que visem à resolução ou superação dos problemas.” Obviamente essa gestão dos processos comunicacionais no terceiro setor não é de exclusividade de profissionais da área de relações públicas, mas não temos dúvida, que a sua formação, aliada à metodologia, cumpre bem esse papel. Daí o confronto e o compromisso.

Referências Bibliográficas

ALVAREZ, S. E.; DAGNINO, E.; ESCOBAR, A.. Cultura e política nos movimentos sociais latino-americanos: novas leituras. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000.
BACCEGA, Maria Aparecida . O gestor e o campo da comunicação. In: Gestão de processos comunicacionais. Organizado por Maria Aparecida Baccega . São Paulo:Atlas, 2002. p. 15 – 27.
DAGNINO, Evelina. Os movimentos sociais e a emergência de uma nova noção de cidadania. In: Os anos 9: política e sociedade no Brasil. Organizado por Evelina Dagnino. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 103 – 115.
CHANLAT, Jean-François. Ciências sociais e management: reconciliando o econômico e o social. São Paulo: Atlas, 1999.
FALCONER. Andrés Pablo. A promessa do terceiro setor – um estudo sobre a construção do papel das organizações sem fins lucrativos e do seu campo de gestão. São Paulo,1999. 23f. Ensaio (Baseado na dissertação de mestrado em Administração) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo.
FERNANDES, Rubem César. Privado porém Público – o Terceiro Setor na América Latina. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994.
HENRIQUES, Márcio S. & PINHO NETO, Júlio A. Sá de. Comunicação e movimentos de
mobilização social: estratégias de atuação das organizações do terceiro setor na área da
comunicação. In: Anais do XXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom. Campo Grande/MS:Intercom, 2001. (CD-ROM)
KANITZ, Stephen. Minha amiga, a irmã Lina. Revista Veja. Ano 35, n. 16, p. 20.
KUNSCH, Margarida M. K. Relações Públicas no Terceiro Setor: um resgate, para uma prática
consciente. COMUNICARP – Edição extra do informativo interno do curso de Relações Públicas do IACT/PUC -Campinas. Out. 2001.
LESLY, Philip. Os fundamentos de relações públicas e da comunicação. São Paulo: Pioneira, 1995.
MELO NETO, Francisco Paulo de & FROES, César. Responsabilidade social & cidadania empresarial: a administração do terceiro setor. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 1999.
PERUZZO, Cicília M. K. Relações Públicas com a comunidade: uma agenda para o século XXI. Comunicação e Sociedade, São Bernardo do Campo, nº 32, p. 45-67, 2º sem. de 1999.
SCHERER-WARREN, Ilse. Cidadania sem fronteiras: ações coletivas na era da globalização. São Paulo: Hucitec, 1999.
SCHOMMER, Paula Chies. Empresas e sociedade: cooperação organizacional num espaço público comum. Bahia, 1999. 13 p. Paper. NPGA/UFBA.
SOARES, I.de O. e COSTA, M. C. C. Planejando os Projetos de Comunicação. In: Gestão de processos comunicacionais. Organizado por Maria Aparecida Baccega . São Paulo:Atlas, 2002. p. 15 7– 179.






TEATRO - TÍTULO: O SENTIDO DA VIDA


AUTOR: PAULA DULCE BREVES

Maria: Quem sou? De onde vim? Por que estou aqui? São tantas perguntas! Será que alguém pode me dar uma resposta?
Anônimo: Olá amiga! Percebo que você está um pouco “perturbada”, qual é o seu problema?
Maria: Sei lá! Eu estava aqui, sem fazer nada... pensando, de repente algumas perguntas vieram a minha mente! Tipo assim, qual o sentido da vida? Essas coisas...
Anônimo: Sei! Eu entendo... mas acho que você não deveria se preocupar com isso, não! Nós temos tanto o que fazer! Pra que ficar perdendo tempo com essas questões “filosóficas”? O fato é que nós estamos aqui e devemos aproveitar isso da melhor forma!
Maria: Pois é! Na verdade eu sempre pensei assim, mas hoje eu resolvi parar e me perguntar: Por quê? Todos os dias vivo a minha rotina, me preocupando em resolver meus problemas e cumprir meus compromissos, e fico tão ocupada com isso que esqueço de procurar por algo um pouco mais profundo, entende? Uma razão real para tudo isso!
Anônimo: Sei! Bem... na verdade eu acho que posso te ajudar então?
Maria: Mesmo?
Anônimo: Claro! Afinal você não é a única pessoa a viver neste planeta, né? Todos passam por isso, e acabam encontrando de uma forma ou de outra uma razão para existir! Eu vou te apresentar agora algumas pessoas que descobriram por si só algum motivo pelo qual deveriam viver, ou seja um objetivo a se alcançar! Entende? Então você poderá escolher dentre eles o que melhor se encaixa para você! OK?
Maria: OK!
Executivo:Para mim o objetivo da vida é obter o sucesso, e só por meio de muito trabalho, esforço e dedicação você conseguirá se tornar um vencedor! Eu por exemplo, trabalho arduamente, inclusive nos finais de semana, procuro dar o melhor de mim e aproveitar ao máximo o meu tempo, e o resultado... é que hoje eu possuo um ótimo emprego, dinheiro, status e poder, o que mais você quer?
Maria: Não sei... mas eu ainda acho que isso não é tudo!
Estudante: Pois é! Eu também acho! Eu creio que o mais importante de tudo é o conhecimento! De que adianta obter tudo isso que ele falou, se você não tiver um pingo de sabedoria? De tudo o que você possui a única coisa que ninguém pode te tirar é o conhecimento! O homem é o que ele pensa e só pensa o que ele sabe! É por isso que eu procuro estar sempre me atualizando, lendo livros, estudando, enfim adquirindo toda forma de cultura! Assim, tenho certeza que não estarei investindo meu tempo em coisas supérfulas e perecíveis!
Maria: Faz sentido, o conhecimento realmente é algo importante, sem ele eu não conseguiria nem administrar corretamente os meu bens e acabaria por viver uma vida inútil!
Magrão: Que que é isso mina! Não entra nesses papo aí não! Pra que ficar se estressando com esse negócio de estudar e trabalhar! A vida é curta e tem que ser curtida, tá ligada? Eu é que não vou ficar perdendo meu tempo com essas bobagem aí! Eu quero mais é aproveitar, faze festa, curtir! Valeu? O resto... o resto que se exploda!!
Maria: Pior que esse maluco não tá tão errado não! De um certo ponto de vista, isto tem a sua lógica! Pois se todos vamos morrer mesmo, devemos aproveitar o tempo que temos aqui e agora!
Trabalhador: É, minha filha, mas a coisa também não é bem assim! Não podemos nos isentar de nossa responsabilidade, nós vivemos em sociedade e temos um compromisso com as pessoas ao nosso derredor, não podemos viver como se o resto do mundo não existisse! Eu por exemplo, procuro sempre fazer o melhor para mim e para os outros, trabalho diariamente para sustentar a minha família, pago as minhas contas em dia, tenho um bom relacionamento com meus vizinhos, e às vezes até ajudo os necessitados, vivo a minha vida normal, sem atrapalhar ninguém! Tenho certeza que sou uma ótima pessoa! Assim, ao chegar ao final do dia, eu posso dormir tranqüilo, sabendo que cumpri o meu papel! Entendeu?
Maria: É verdade! Não tiro a razão desse cara aí! Mas algo ainda me incomoda, pra que tudo isso? Essa responsabilidade, esta rotina? Ainda não descobri nenhum motivo concreto para tudo isso, deve existir algum objetivo maior!
Cientista: Que isso, minha jovem! Prá que toda essa filosofia? A vida é isso mesmo!! Nós somos apenas parte de uma natureza em constante evolução! Olhe para os animais a sua volta e observe, nossa vida nada mais é além do que isso: uma constante luta pela sobrevivência e perpetuação de nossa espécie! Nada a mais!
Maria: Mas isso não pode ser verdade! Não somos animais!! Não podemos estar aqui por mero acaso!! Deve haver um motivo! Um Propósito para nossa existência!
Anônimo: Calma minha amiga, não se desespere! Infelizmente a vida é assim mesmo! Não a nenhum propósito, você dá a vida o sentido que você bem entender! Olhe para todas as pessoas ao seu derredor, elas não se preocupam com isso! Elas estão vivas e isso é tudo o que sabem, devem aproveitar isso da forma que julgarem melhor, antes que morram!
Maria: Não! Mas eu não me conformo, não posso viver só por viver, sem sentido, sem razão! Eu não entendo essas pessoas! Como podem simplesmente acordar, estudar ou trabalhar, dia após dia, ano após ano, e depois simplesmente morrer?? Sem saber o porque de tudo isso?
Anônimo: Não há porquês, deixe de ser tola, o que você pensa que é para se achar superior aos outros! Estamos todos no mesmo barco amiga! E ninguém sabe de onde veio nem para onde vai! Acredite nisso!
Maria: Não não posso acreditar nisso, alguém tem que saber de onde eu vim e para onde vou! Deus tem que saber disso! Deve existir um Criador, alguém que nos fez! Ele deve ter tido seus motivos!
Anônimo: Deus??!! OK! Estou vendo então que você é do tipo religioso, que procura um sentido espiritual para essas coisas! Então está bem... se você está procurando por Deus, eu vou apresentar-te as principais religiões que existem aqui na terra, a fim de que você possa escolher entre uma delas.
Budista: Segundo o Budismo, nós cremos que nossas almas estão em um aperfeiçoamento constante, através de várias e várias reencarnações todos chegaremos a um estado final de plena harmonia e paz de Espírito! Para que isso aconteça, nós precisamos nos desprender cada vez mais de todos os bens materiais desta vida, e através da meditação, da piedade e de uma vida correta chegaremos ao Nirvana que é o mais elevado estado de Espírito
Islamita: Não de muita atenção para esse tipo de conversa, amiga! Se você não reconhecer a Alá como único deus e a Maomé como seu profeta, aqui nesta vida mesmo, seu destino será o Inferno e de lá tu não terás uma nova chance não!
Maria: Nossa! Mas o que eu preciso fazer então?
Islamita: Você precisa ser fiel a Alá, orar 5 vezes ao dia, jejuar regularmente, dar esmolas aos pobres, e ainda fazer uma peregrinaçao a Meca pelo menos uma vez na vida! Senão...
Maria: (glup)
Freira: Não se preocupe não, minha filha! Deus não é tão mal assim! Ele só quer que sejamos felizes, não precisamos nos preocupar com tantas leis rígidas, tudo que você precisa fazer é ir na missa aos domingos, fazer obras de caridade, ajudar aos necessitados, e pedir que Maria ilumine os seus caminhos. Se fizer isso estará cumprindo o seu compromisso cristão!
Pastor: Não dê ouvidos a esta idólatra! Eu tenho algo a te dizer minha irmã! Deus tem um propósito para ti sim! Ele quer que você seja próspera! Muito próspera!! Veja nas Escrituras o exemplo de Abraão e Salomão! Sim minha amiga, Deus pode fazer com que você se torne rica, mais rápido do que você jamais sonhou! Tudo o que você precisa fazer é ser fiel e generosa e contribuir com o dízimo e ofertas para a Igreja! E Deus, irá te abençoar! Deus te dará tudo o que você deseja, é só ter fé!
Espírita (Nova Era): Não dê bola pra esse cara aí! Você não vê que ele só está interessado no seu dinheiro! Não se engane minha jovem, Deus está dentro de você! Ele não precisa do seu dinheiro! Você é o seu próprio Deus, não precisa cumprir uma série de normas e leis fixas, você é que determina o que é certo ou errado, em sua vida! Quando é que as pessoas vão enxergar isso?? Tudo que precisamos fazer é reconhecermos o poder que está dentro de nós, e assim através da evolução de nosso espírito, logo todos seremos verdadeiros deuses! Esta é a grande verdade!
Anônimo: Então amiga, o que me diz!
Maria: Nossa! Estou mais confusa agora do que antes! É tudo tão contraditório! Eu não entendo mais nada!
Anônimo: Calma, eu já te disse tudo o que precisa fazer é escolher a opção que melhor lhe agrada e acreditar nela. No fundo todas elas são iguais!
Maria: Iguais? Sim, são todas iguais! Todas foram feitas pelo homem e para o próprio homem! Você não percebe? Tudo gira em torno de nós mesmos, todos prometem: felicidade, paz, prosperidade e até a divindade! Mas no fundo é só para agradar a nós mesmos, todas visam somente o nosso bem estar!
Anônimo: Mas então criatura! Afinal de contas o que é que você quer?? Não era isso que estava procurando? Uma razão para viver? Todas elas te dão isso! O que tem de errado em escolher a que você julga ser a melhor, para o seu próprio bem?
Maria: Não! Você não entende! Eu não quero a melhor opção para mim! Eu quero a Verdade!
Anônimo: Verdade? O que é a verdade? Não existe verdade!! Tudo é relativo, você é que não compreende! Todos as religiões são iguais, todos os caminhos levam ao mesmo lugar!
Maria: Isso é loucura! Deve existir um Caminho verdadeiro!... Afinal quem é você? Disse que iria me ajudar, mas só está tentando é me iludir! Eu não quero mais seus conselhos, eu quero a VERDADE!
Entra Jesus
Anônimo: Oh, não! A Verdade, não!
Maria: Quem é você?
Jesus: Eu sou o Caminho, eu Sou a Verdade, eu sou a Vida!
Maria: Jesus! É isso! Só você pode me dizer o que quero saber! Vamos, diga que não estamos aqui por acaso! Diga tem um propósito para minha vida! Por favor!!
Jesus: Sim, minha jovem, é claro que Deus tem um propósito para sua vida; e não só para a sua mas para a de todos os homens....
JESUS FALA DO PROPÓSITO ETERNO DE DEUS. (Este texto pode ser adaptado conforme o contexto: , edificação ou evangelização)

PROVAS INCONTESTÁVEIS DA VERACIDADE DA BIBLIA

ESTE TEXTO É PRODUÇÃO DE NORBERT LIETH. ESTÁ EM MEU BLOG PORQUE ACHEI PERTINENTE E INTERESSANTE.


O maior, melhor e mais confiável documento de todos os tempos é a Bíblia. Suas afirmações são continuamente confirmadas, como mostra o artigo a seguir.
Novas escavações, achados arqueológicos, escritos antigos, descobertas surpreendentes e avanços no conhecimento científico confirmam o que a Bíblia diz. Um recente documentário da BBC comprovou que o êxodo dos israelitas do Egito foi real.
Os registros bíblicos poderiam estar certos
O relato bíblico da saída do povo de Israel do Egito pode ser comprovado cientificamente. Segundo um documentário da televisão britânica BBC, os resultados de pesquisas científicas e os achados e estudos de egiptólogos e arqueólogos desmentem a afirmação de que o povo de Israel jamais esteve no Egito. Contrariamente às teses de alguns teólogos, que afirmam que o livro de Êxodo só foi escrito entre o sétimo e o terceiro séculos antes de Cristo, os pesquisadores consideram prefeitamente possível que o próprio Moisés tenha relatado os fatos descritos em Êxodo – o trabalho escravo do povo hebreu no Egito, a divisão do Mar Vermelho e a peregrinação do povo pelo deserto do Sinai. Eles encontraram indícios de que hebreus radicados no Egito conheciam a escrita semita já no século 13 antes de Cristo. Moisés, que havia recebido uma educação muito abrangente na corte de Faraó, teria sido seu sábio de maior destaque. E isso teria dado a ele as condições para escrever o relato bíblico sobre a saída do Egito, conforme afirmou também um documentário do canal cultural franco-alemão ARTE.
Pragas bíblicas?
Segundo o documentário, algumas inscrições encontradas em palácios reais egípcios e em uma mina, bem como a descrição detalhada da construção da cidade de Ramsés, edificada por volta de 1220 a.C. no delta do Nilo, comprovariam que os hebreus realmente viveram no Egito no século 13 antes de Cristo. A cidade de Ramsés só existiu por dois séculos e depois caiu no esquecimento, portanto, o relato só poderia vir de uma testemunha ocular. Também as dez pragas mencionadas na Bíblia, que forçaram Faraó a libertar o povo de Israel da escravidão, não poderiam ser, conforme os pesquisadores, uma invenção de algum escritor que viveu em Jerusalém cinco séculos depois...
Moisés recebeu a lei no monte Karkom
Do mesmo modo, o mistério do monte Horebe, onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos, parece que está começando a ser desvendado pela ciência. No monte Sinai, onde monges do cristianismo primitivo imaginavam ter ocorrido a revelação de Deus, os arqueólogos nunca encontraram qualquer vestígio da presença de 600.000 homens. Em contrapartida, porém, ao pé do monte Karkom, localizado na região fronteiriça egípcio-israelense, foram encontrados os restos de um grande acampamento, as ruínas de um altar e de doze colunas de pedra. Essa concordância com a descrição no livro de Êxodo (Êx 24.4) provaria, segundo citação dos cientistas na BBC, que o povo de Israel realmente esteve por um certo tempo no deserto". (Idea Spektrum, 8/2000)
Lemos no Salmo 119.160: "As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre." Nosso Senhor Jesus confirmou a veracidade de toda a Palavra de Deus ao orar: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17). Nessa ocasião já existiam os escritos do Antigo Testamento, portanto, Jesus confirmou todo o Antigo Testamento, a partir do livro de Gênesis, como sendo a verdade divina.
No Egito, Israel tornou-se um grande povo, exatamente como Deus havia prometido a Abraão séculos antes (Gn 12.1-3). Quando Israel ainda nem existia como nação, Deus já disse a Abraão: "Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas" (Gn 15.13-14). Foi o que aconteceu com exatidão sob a liderança de Moisés alguns séculos mais tarde. Mas por que Israel foi conduzido para fora do Egito? Para tomar posse de uma terra que Deus lhe havia prometido, pois nessa terra deveria nascer como judeu o Salvador Jesus Cristo.
Hoje muitas pessoas não querem crer em Jesus e na Sua obra de salvação, por isso colocam em dúvida a veracidade das histórias bíblicas, pois gostariam de interpretá-las de outra maneira. Mas ninguém o conseguiu até hoje, pois continuamente são encontradas novas provas que confirmam a exatidão dos relatos bíblicos. Como poderia ser diferente, se o texto original da Bíblia foi inspirado pelo próprio Deus?
Muitas falsas doutrinas, ideologias e teorias têm sua origem em uma postura contrária a Deus. Karl Marx e Friedrich Engels, por exemplo, odiavam tudo que dizia respeito a Deus. Charles Darwin também rejeitava a Deus. Ele desenvolveu a teoria da evolução porque tinha se afastado conscientemente de Deus. Evidentemente, quando se faz isso, precisa-se buscar uma nova explicação para tudo o que existe visivelmente. Mas o pensamento lógico já nos diz que aquilo que nossos olhos vêem não pode ter surgido por si mesmo. Peter Moosleitner (que por muitos anos foi redator-chefe da popular revista científica alemã PM) acertou em cheio ao afirmar: "Tomemos a explosão inicial, talvez há 16 bilhões de anos – ali reinavam condições que conseguiam reunir, num espaço do tamanho da ponta de uma agulha, tudo o que forma o Universo. Então, esse ponto se expandiu. Segundo essa concepção, temos duas alternativas: (1) Paramos de perguntar pelas origens do Universo. (2) Se existe algo capaz de colocar o Universo inteiro na ponta de uma agulha, como poderei chamá-lo, a não ser de Deus?"
Mas, na verdade Deus é infinitamente maior! Ele criou tudo a partir do nada, através de Sua Palavra, e isso não aconteceu há bilhões de anos, mas há cerca de 6000 anos atrás, em apenas seis dias. Hebreus 11.3 diz: "Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem." A Palavra de Deus não é apenas absoluta verdade e absolutamente poderosa, ela também salva por toda a eternidade, concede vida eterna, livra do juízo, e vence até a própria morte. Jesus Cristo diz: "Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida" (Jo 5.24). (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

REVISTA VOCÊSA

Desenvolva sua inteligência moral
Por Daniela de Lacerda


Agir em alinhamento significa aliar os valores morais a suas ações e objetivos. Para isso, é preciso desenvolver as habilidades morais e combater os vírus morais
Habilidades morais - para cada princípio humano universal érelacionado um conjunto de competências.

Vírus morais - Ao detectar um vírus moral em seus pensamentos, você tem a oportunidade de substitui-lo por um pensamento ou uma crença que seja coerente com a sua bússola moral. Confira, abaixo, alguns dos vírus morais mais comuns
Acreditar que:

  • Não se pode confiar na maioria das pessoas.
  • Não tenho muito valor.
  • Sou melhor do que os outros.
  • O que denota poder é bom.
  • Se a sensação é boa, faça.
  • Minhas necessidade são mais importantes do que as de qualquer outro.
    A maioria das pessoas se importa mais consigo mesma do que com os outros.
  • Pessoas de outras raças, religiões, nacionalidades não são tão boas quanto as pessoas da minha raça, religião, nacionalidade.

sábado, 29 de dezembro de 2007

RESENHA: POPULAÇÕES E CULTURAS PRÉ-HISTORICAS

1 – Dados de Identificação


Autor:Marilia Carvalho de Melo e Alvin.
Tradutor s/t
Titulo: Populações e Culturas Pré-históricas
Subtítulo: Inúmeros subtítulos
Edição: s/e
Editora:
Cidade: São Paulo
Ano: 1998
Nº de Páginas: 31-39

2. RESUMO

Muitos são as explicações sobre a origem da população no Novo Mundo, sejam elas biológicas ou mesmo histórica ainda não se chegaram a um consenso. A população pré-histórica chega a América do Sul pelo Istmo do Panamá, e discute a idade de existência dessa população no sul do continente. Mas todos os dados são contestáveis. A cordilheira andina foi ponto de desenvolvimento. No Brasil a região centro-leste (Lagoa Santa e da Costa Atlântica) foram os locais escolhidos.
A Lagoa Santa é uma pequena cidade, com uma área arqueológica ampla e o sitio mais importante no Brasil. E sobre essa região se produz muito estudo. Nela foram encontrados muitos fosseis. Encontrou-se esqueletos e carvões que demonstram ter mais 10.000. Outra descoberta é a Lapa Vermelha IV, onde foi encontrado o esqueleto de uma mulher.
A região da Lagoa Santa na era do Pleitoceno esteve submersa as águas. Somente no limiar da época atual é que o Homem da Lagoa Santa pode ocupar os abrigos sob as rochas do maciço calcário de Cerca Grande.
Alguns fósseis parecem atuais outros nem tanto. Os extensos períodos pluviais e a lixivização e laterização contribuem para a extinção de muitos animais. A cultura do homem da lagoa Santa predomina ponta de flechas confeccionadas de osso e com formas pendiculares de pedra polida. O homem de Lagoa Santa era coletor—caçador, e não conhecia a agricultura. Possuía cultura rudimentar quanto a tecnologia, escassez da cultura.
As pesquisas morfológicas no Brasil são relativamente pequenas. Com base no material de Cerca Grande, os esqueletos foram exumados. Demonstraram a grande afinidade morfológica dos antigos ocupantes dos abrigos e lapas da área arqueológica de Lagoa Santa. O texto aponta pela não miscigenação destes grupos.
Os referidos espécimes apresentam grande freqüência dos seguintes caracteres morfológicos: constituição medianamente robusta ou grácil; diferenciação sexual moderadamente marcada no esqueleto; estatura baixa; anomalia numérica por excesso ou por falta; incisivos medianos superiores na face lingual; abrasão dentária com presença de cáries.
Os sambaquis são encontrados no Brasil, distribuídos ao longo da costa, desde a foz do Amazonas até o Rio Grande do Sul e as vezes, no interior. Os sambaquis apresentam sob forma de colinas, de base oval, formadas, sobretudo de carapaças de moluscos dispostos em camadas mais ou menos nítidas de variada espessura, contendo leitos de carvão humano, inclusive sepultamentos. Em casos excepcionais, medem 30m de altura por 400m de comprimento. Existem sambaquis recentes e podem ser classificados como naturais e artificiais. Foi quem propôs a primeira classificação dos sambaquis em fases, em que se combinavam os critérios espacial e temporal.
Os sambaquis compreendem as idades de 7000 à 1500 anos passados. Mais recente que o sambaqui de Maratua e igualmente datado pelo C-14 foi o material de um outro sambaqui, o da Ilha dos Ratos, na baia de Guaratuba , Paraná.
Foram encontrados muitos esqueletos humanos nos sambaquis e isso sempre foi um grande problema para pesquisa. Não há uma uniformização racial nos sambaquis. E no interior do Brasil a variabilidade racial é maior. Um fator principal nas pesquisas morfológicas é a carie, a alimentação e a estrutura corporal dos homens do sambaquis. Os sambaquis variam grandemente no tempo e no espaço e diversas populações podem ter sido responsáveis, portanto, pela construção desses sítios arqueológicos.
Utensílios de pedra encontrados em Rio Claro acusa pelo C-14 que data de 6245 anos. Mas alguns afirmam que o sitio Alice Bôer antiguidade maior. Através de escavações sistemática que no interior do Paraná que há 6386 anos grupos indígenas habitaram as margens do rio Ivai.
Os trabalhos na Amazônia demonstram vários complexos culturais distintos que correspondem às fases Ananatuba, Mangueiras, formiga, Marajó e Arua e à cerâmica Santarena.
A fase Ananatuba é originária possivelmente da Colômbia e foi introduzida em Marajó há aproximadamente 2.800 anos. A fase Mangueiras é derivada da Annatuba. A fase marajoara é a mais conhecida devido a beleza de sua cerâmica. Procedente do Equador e da Colômbia foi introduzida na ilha por volta do ano 1.000 de nossa era. A ultima fase denomoinada Aruâ (nome dado ao grupo tribal encontrado pelos primeiros exloradores da Ilha de Marajó), é identificado por um estilo cerâmico, sem qualquer parentesco com o da fase Marajoara, e prolonga-se até princípios do século XIX.
A cerâmica tupi-guarani abrange uma área muito ampla e seus portadores se estenderam pelo litoral atlântico desde o Nordeste brasileiro até o Rio da Prata e para o interior alcançaram o Paraguai e o Araguaia. O sitio mais antigo data de mais ou menos 3935, ou seja, 1958 a.C e localiza-se no município de Tenente Portela- RS.
O homem tupi-guarani, além de coletor e caçador, era praticante da agricultura, o que lhes dava vantagem nas guerras pelo acúmulo de alimentos. Usava arco, flecha e o tacape. As vezes havia o processo de aculturamento com os vencidos.
Em alguns sítios são encontradas muitas urnas funerárias. Os tupis são conservadores de sua tradição.
3. CONCLUSÕES DO RESENHISTA
O que se pode concluir deste texto é que não há uniformidade entre todas as culturas pré-históricas do Brasil. O que comprova que os sambaquis são depósitos humanos de materiais orgânicos, calcários, empilhados ao longo do tempo e sofrendo a ação da intempérie, o que acaba por promover uma fossilização química, pois a chuva deforma as estruturas dos moluscos e dos ossos enterrados, difundindo o cálcio em toda a estrutura e petrificando os detritos e ossadas porventura ali existentes.
Diante dessa conservação, encontrou-se esquelçetos humanos, e o seu estudo comprova que não existe também uma uniformidade morfológica nas populaçõe de Sambaquis.
Outro ponto osbervado é que as história da cerâmica nos povos pré-históricos não são genuinamente do inteiror brasileiro, mas sim provinientes de regiões vizinhas.

4. TRECHOS QUE SIRVAM PARA CITAÇÕES

As pesquisas sobre sambaquis são ainda parciais e incompletas. Entretanto, podemos inferir dos estudos já realizados que a alimentação usual dos construtores dos sambaquis constitui-se de moluscos terrestres e aquáticos, mariscos, ostras, mexilhões, peixes e em menor quantidade, répteis, aves e mamíferos, como o tapir, a capivara, a paca e os pequenos veados. Disto se conclui que eram mais coletores do que caçadores (p. 4).


As pesquisas realizadas sobre o homem no Novo Mundo precisam ser, na verdade maiores em extensão e profundidade, não só em grupos indígenas e americanos, mas em grupos da Mongólia e da região asiática da União Soviética, de onde talvez provieram os maiores contingentes populacionais que povoaram as Américas ( p. 01).

5. VOCABULÁRIO

SAMBAQUIS - São depósitos de conchas acumuladas por grupos tribais que dependiam da coleta de moluscos como base de sua alimentação, ocupando-se paralelamente da caça e da pesca.

CERÂMICAS – é a atividade de produção de artefatos a partir de argilas, que torna-se muito plástica e fácil de moldar quando umedecida.


MORFOLÓGICA - é o estudo da forma de um organismo, ou de parte dele.

RESENHA: O RENASCIMENTO DO BARROCO

1 – Dados de Identificação


Autor: Ricardo Arnt, OLIVEIRA, Lucia Helena; BARROS, Fernando Valeika de.
Tradutor s/t
Titulo: O Renascimento do Barroco
Subtítulo: Sem subtítulo
Edição: s/e
Editora:
Cidade: São Paulo
Ano: 1998
Nº de Páginas: 31-39

2. RESUMO

A valorização atual da arte barroca deve-se a moda de regresso ao passado. Na época barroca havia uma forte influência religiosa. O barroco foi um dos principais instrumentos da arte da contra-reforma, que se propagava na época. E através dele sediou-se a Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, fundada para combater o protestantismo. O barroco é a arte da fé.
Nessa época Portugal era domínio espanhol e por isso as suas colônias eram deixadas quase que de lado. Portugal enfraquece sua autonomia e com isso enfraquece também a arte.
No Brasil, nesse período inicia-se o ciclo do ouro, e com isso, imigrantes invadem as terras a trabalho. Milhares de pessoas queriam enriquecer à custa do ouro brasileiro, o qual era enviado para a Portugal e Espanha.
Com o surgimento de Salvador e Recife, um século depois, o estilo barroco muda o interior das igrejas. As decorações eram feitas em ouro puro e técnicas utilizadas na época. As pinturas também são muito utilizadas nos interiores, principalmente as com inspiração européia. Todavia, com a passagem marítima, a arte barroca molda-se a forma mais brasileira. Um dos principais representantes dessa arte no Brasil é Aleijadinho.
Com o mercado do ouro em alta, há o favorecimento de outras áreas da economia, como a pecuária, fumo, açúcar, etc. Também se verifica com o aumento populacional com predominância masculina o que ocasiona o aumento da prostituição, onde até os padres envolviam-se em escândalos. Os costumes eram promíscuos e as leis, pouco respeitada. E, na religião havia certo desequilibro entre as pessoas, não havia igualdade na irmandade, sendo tudo um jogo de interesses.
A obra prima da arte mineira foi a Igreja de São Francisco de Assis. Pode-se afirmar que a arte brasileira nasce com o barroco. O barroco brasileiro carrega a tropicalidade, a permissividade e a sensualidade da miscigenação das culturas. Aqui, as ordens religiosas incorporam o negro e o índio. Era a Igreja que promovia a festa do Rei do Congo.
Os principais gênios da arte barroca são: Aleijadinho (1739 – 1814); Padre Antonio Vieira (1608-1697); Gregório de Matos (1633-1696); Padre José Mauricio Nunes Garcia (1767-1830).

3. CONCLUSÕES DO RESENHISTA
O termo barroco denomina genericamente todas as manifestações artísticas dos anos de 1600 e início dos anos de 1700. Além da literatura, estende-se à música, pintura, escultura e arquitetura da época. O quadro brasileiro no século XVII tem a presença cada vez mais forte dos comerciantes, com as transformações ocorridas no Nordeste em conseqüência das invasões holandesas e, finalmente, com o apogeu e a decadência da cana-de-açúcar. Uma das principais referências do barroco brasileiro é Gregório de Matos Guerra.
Há uma dualidade na arte barroca, sempre tentado conciliar dois termos opostos. E a presença da igreja é o que marca a arte nesse período, tanto na construção de obras primas como no próprio estilo.
A arte barroca é a primeira escola a incorporar as características brasileira, o que acontece na literatura muitos anos depois. A presença do Aleijadinho demonstra essa integração cultural que hoje se fala muito, denominada miscigenação. Pois suas obras são a expressão dessa mistura, visto que as características de suas esculturas são de pessoas mestiças.



4. TRECHOS QUE SIRVAM PARA CITAÇÕES

A Igreja queria aparecer moderna e não ultrapassada (...) A pompa e a exuberância barrocas quebravam a linearidade e a rigidez dos estilos vigentes, o renascentista, harmônico e equilibrado, e o maneirista, superficial e artificioso. E impressionavam. Daí o apego as curvas, ao movimento, ao drama, à decoração feérica e , paradoxalmente – em se tratando de uma arte religiosa – à sensualidade (1998, p. 32)


Cada corporação de oficio tinha a sua Ordem. Havia irmandades de elite e populares. A Ordem Terceira do Rosário dos Pretos congregava escravos. Cada uma tinha seu santo, suas festas e construía sua igreja exclusiva, competindo com as outras em prestígios. Para o devoto, o prêmio era ser enterrado pela confraria – garantindo o céu após a morte (1998, p. 36).



5. VOCABULÁRIO

BARROCO: compreende-se como barroca a arte desenvolvida no século XVII. Contudo, alguns historiadores costumam apontar como o início da época barroca os anos finais do século XVI, que com a arte religiosa da Contra-Reforma teria gerado os primeiros frutos do que viria a ser a arte barroca, plenamente desenvolvida apenas durante a primeira metade do século posterior.

PURIFICAÇÃO

PURIFICAÇÃO

Um dos grandes propósitos de um novo crente em Cristo Jesus é a purificação do que se chama a casa de Deus. Podemos procurar o quanto quisermos e não encontraremos um que não cite o desejo de ser renovado pelo sangue de Cristo ou pelo poder de Deus. Os propósitos firmados no ato conversivo ou nos momentos de manifestação do Espírito às vezes são olvidados ou enfraquecidos quando o retorno ao lar se transforma em um caminho árduo ou promessa da prosperidade é mergulhada nas lágrimas da prova. Atualmente os crentes querem ser aprovados sem passar pela prova e o pior confundem a promessa de prosperidade com os ditames capitalista de acúmulo e transitoriedade material, ou seja, ser próspero deixou de significar algo próximo ao bem-sucedido para revestir-se do caráter capitalista de ter o carro do ano, o celular da moda, o mp3, o mp4, etc, etc.
A revista do momento aponta para estereótipos (modelo) de beleza, de conduta, de atitudes que devem as pessoas seguir para estarem dentro do grupo, em hipótese alguma admite-se não estar na moda, ser taxada de inconveniente. Quando contextualizamos o tema purificação na vida dos jovens esbarramo-nos em questões mais delicadas, pois estes se encontram mais vulneráveis as normas seculares que os adultos, (entenda-se por jovem aqueles adolescentes e jovens).
Os jovens confiam muito no vigor físico como único meio eficiente para a salvação de todos os males. É preciso considerar o que está escrito nas Escrituras para que se proceda com a purificação.
O primeiro texto sagrado é encontrado em Gálatas 5: 18-26, onde podemos verificar a classificação entre os atos da carne (e que mais estão suscetíveis os jovens) e os atos provenientes do Espírito (considerados frutos do amor). São assim considerados obras da carne a prostituição impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias e coisas semelhantes a estas. O Texto sagrado é claro em afirmar que quem fizer uso destas ações como prática de vida “não herdarão o reino de Deus”. Em Romanos 1: 29-31, citam-se outros Frutos da Carne: “Estão cheios de toda iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade, inveja, homicídio, contenda, engano e malignidade. São murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos,inventores de males, desobedientes aos pais e as mães; são néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconhecíveis, sem misericórdia”.
Antagonicamente aos atrativos carnais estão os frutos do Espírito,que são bons e nos levam ao bem: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. No versículo 25 do capítulo 5 de Gálatas vemos que “se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito”.
É preciso saber e ter consciência de que o que comentemos e conforme agimos nos nossos dias terrenos, seremos julgados e retribuídos, ou com coroa de glória ou como assalariado da morte.
Na sociedade moderna é de praxe o homem (homem e mulher) sentir-se orgulhosos em afirmar que são vaidosos. A vaidade pode ser conceituada como sendo algo que expõe qualidades exteriores do indivíduo. A vaidade está ligada ao cuidado com o corpo, o físico e a utilização de coisas para adequar-se aos padrões de beleza.
Não há mais a divisão entre homens e mulheres quando o assunto é vaidade. As mulheres estão dividindo igualmente os salões de “beleza” com seus maridos, pintar cabelo é coisa do passado, homens e mulheres disputam horários em clínicas de cirurgia plástica em busca da eterna juventude, olvidam-se que a eternidade só é possível com Jesus.
É necessário converter-se os corações e guardar os mandamentos de Deus, bem como os seus estatutos, para que não caiamos em desgraça do mesmo modo que Israel na época de Oséias, que viviam sob a normatividade da impenitência, da incredulidade e da teimosia. Viviam sob o jugo da separação, infiéis a justiça, sob o preceito da vaidade:

Porém não deram ouvidos, antes endureceram a sua cervis, como fizeram seus pais, que não creram no Senhor seu Deus.
Rejeitaram os seus estatutos, e a sua aliança, que fizera com seus pais, como também as suas advertências, com que protestara contra eles. Seguiram a vaidade e se tornaram vão, como também seguiram após as nações que estavam ao redor deles, das quais o Senhor lhes havia ordenado que não as imitassem.
Deixaram todos os mandamentos do Senhor seu Deus, e fizeram para si duas imagens de fundição em forma de bezerros, e um poste-ídolos.(...) (2REIS 17:14-16)

Assim, fazem muitos jovens na atualidade, não acreditam no poder restaurador e renovador do próprio criador, para buscarem a perfeição física exposta em revistas e novelas, crerem em ídolos tão tolos e absurdos como os bezerros da antiguidade, e ignoram que “pois a aparência deste mundo passa” (1 Cor. 7: 31). É preciso seguir o exemplo de Paulo e Barnabé rasgando as vestes (abrindo mão daquilo que nos cobre de impureza e se questionar: “Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.” (AT. 14: 15).
O salmista no uso da atribuição divina de sabedoria no capítulo 127, versículo 1 declara que “ se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam. Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”. E, no capítulo posterior, Davi exemplifica a prosperidade de quem não edifica o seu caráter e seu viver nas coisas do mundo:

“Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Comerás do trabalho das tuas mãos; feliz será, e te irá bem.
A tua mulher será como videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa.
Assim é abençoado o homem que teme ao Senhor.
O Senhor te abençoe de Sião todos os dias da tua vida; para que vejas a prosperidade de Jerusalém, e vivas para ver os filhos de teus filhos. Paz seja sobre Israel.”

A vaidade é um câncer da alma que destrói aos poucos aquilo que o homem tem de mais puro. A vaidade (e não os atos de higiene e saúde, como cuidados com dentes, doenças, roupas limpas e passadas), mas a vaidade descabida que entranha milhares de pessoas em academias, enlouquecidos por corpos “perfeitos”, que sujeitam-se a mutilações em seus corpos em busca de padrões humanos estabelecidos como modelos de beleza, e coisas inatingíveis senão pela criação divina.
Um outro ponto necessário a ser abordado na vida dos jovens é o aspecto corporal voltado ao sexo. Como falado anteriormente, a prostituição está no rol dos frutos da carne, cabe dizer que esse rol não é exaustivo, existem muitas outras coisas que nos levam a morte.
O escrito no livro de Romanos 1:25-27 retrata a incredulidade humana perante a verdade divina e o uso no corpo como instrumento do pecado contrariamente à vontade de Deus:

Pelo que Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si.
Mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram a criatura em lugar do Criador, que é bendito eternamente. Amém.
Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.
Semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, inflamaram-se em sua sensualidade uns para com os outros, homem com homem, cometendo torpeza, e recebendo em si mesmos a penalidade devida ao seu erro.


O jovem está imerso no contexto da contaminação, e nisso tem culpa não somente a televisão, as revistas, a internet, demais meios de comunicação como também a família que não conversa sobre a verdade de Deus. Essa contaminação do caráter e da conduta cristã do jovem acontece pela liberalidade sexual e defesa da diversidade de identidade. Adolescentes recém iniciam o seu amadurecimento já estão sexualmente ativos e a prática sexual acontece indiscriminadamente entre o grupo de amigos. Dentre os casos a serem citados e que podem ser verificados no trecho bíblico acima citado são as experiências homossexuais masculinas e femininas.
Adolescentes meninos tanto deitam-se como mulheres como com seus amigos e diversas vezes até com tios e primos, usando seu corpo como se fossem corpo de mulher, da mesma forma tomam os corpos de seu próximo como se de mulher fossem.
Não obstante, houvesse a repreensão social/moral (hipócrita) de homens casados tem relações sexuais tanto com mulheres como com outros homens, recorrendo-se a desculpa do fetiche e da fantasia sexual para desviarem suas condutas da vontade do Pai.
A vida purificada e santificada de acordo com a Palavra, precisa de constante cuidado. O inimigo está solto e pega até aqueles que cuidam de suas atitudes públicas e não caem nas armadilhas citadas anteriormente. Porém, é preciso considerar que na intimidade, muitos descuidam de sua vigia e fazem a vontade da própria carne. Meninos e meninas, visivelmente santificados e dedicados à obra, num momento de fraqueza e solidão deixam a oração em segundo plano e caem na satisfação de seus instintos carnais e praticam a masturbação.
No momento em que estão deitados em suas camas fechados em seus quartos ou na hora do banho, muitos durante a higiene pessoal, começas a passar a mão com mais vigor e sentem a resposta aos estímulos de forma positiva. A menina sempre começa com o primeiro dedo e o menino sempre começa ensaboando, dentro de poucos dias após a descoberta do orgasmo ou da ejaculação, os segundos de prazer-solitário comprometem a eternidade, pois juntamente com essa atitude, povoam a mente do adolescente pensamentos e desejos que não satisfazem os requisitos necessários a santificação.
Na falsa certeza de que será a última vez, muitos adolescentes continuam se masturbando, continuam deitando-se como mulher com seus próximos e tendo-os da mesma forma como mulher, e mulheres com mulheres. É preciso para isso, muito mais que força de vontade interior como muitos pregam, é preciso jejum e muita oração. “Bem-aventurado o homem que continuamente teme ao Senhor, mas o que endurece o seu coração virá a cair no mal” (Pv. 28-14). Teme a Deus e guarda os seus mandamentos, pois isto é todo odever do homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, inlcusive tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau. (Ec. 12:14).
O capitalismo moderno leva os jovens à ganância. Eles querem tudo e depois que conseguem isso não basta, não os satisfazem. O celular da moda hoje, amanhã não será e assim continuamente. Roupas e objetos são trocados constantemente, e isso tende a passar para as pessoas, e começam a trocar de namorados, namorados e namorados.
Em Lam. 3:27 encontramos um alerta aos jovens que vivem com a sua lanterna da sexualidade ativa: “Bom é para o homem suportar o jugo da sua mocidade”, isto é, é bom que o homem tenha autocontrole, domínio próprio que é um Fruto do Espírito. Não podemos esquecer que nosso caráter, nossa alma é mais preciosa que a nossa carne, que a vida física.
Em 1Jo 2:13 -14 há um direcionamento da palavra aos jovens. Da mesma forma, há uma responsabilização aos pais. O jovem deve conhecer a Cristo, mas os pais devem influenciar os seus filhos porque já conhecem o maligno da juventude.

Pais, eu vos escrevo, porque conhecestes o Pai. Eu vos escrevi pais, porque conhecestes aquele que é desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo porque já vencestes o maligno.
Eu vos escrevi meninos, porque conhecestes o Pai.. Eu vos escrevi pais, porque já conhecestes aquele que e desde o principio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno.

Os jovens devem estar atentos às seguintes palavras do Salmista 119:9 “Como purificara o jovem o seu caminho? Observando segundo a palavra.”. Observar os preceitos de Deus não é apenas um ditame, mas é um dos ordenamentos maiores de Cristo que diz que “

É preciso, então, “ no tempo que vos resta na carne não vivais mais segundo as concurpisciencias dos homens, mas segundo a vontade de Deus. Pois é bastante que no tempo passado tenhais cumprido a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias.” (1Pe. 4:2-3).
Crer no Pai e em Jesus é acreditar e seguir os seus mandamentos, consequentemente observar as suas palavras e afastar-se daquilo que não porvém de Deus, por mais maravilhoso que possa parecer. Não podemos esquecer que o inimigo de nossas almas, se apresentará como “anjo de luz” para nos cativar.
Essencial é que em todo o tempo sejam alvas as teus vestes, e nunca falte óleo sobre a tua cabeça. (Ec. 9:8). Porque, “vaidade de vaidades, tudo é vaidade. (Ec 1:2). Pois, “o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo o pecado (1 Jo 1:7) e, “Deus tomou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (1Co 5:21).
O jurem também está suscetível de cair, de cansar na sua caminhada espiritual, assim como bem relata Isaías (39: 30-31) “Até os jovens se cansam e se fatigam, e os jovens tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças. Subirão com asas de águias; correrão e não se cansarão, caminharão e não se fatigarão.” Progredir espiritualmente é necessário, a esperança em Deus não pode ser abalada para que haja uma renovação espiritual diária. Conforme At. 2: 38 se faz urgente “arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.”. dessa forma, Deus: “Dará a vida eterna aos que, com perseveranças em fazer o bem, procuram glória, honra e incorrupção”. (Rom. 2-7)
Em Mateus 23:26, Jesus profere apenas uma frase que nos remete ao tema purificação interna. O homem é cego espiritual por natureza, é preciso que apresentem a ele o Evangelho. Com o advento dos aparatos tecnológicos e modernos valoriza-se mais o exterior do que o interior, por isso muitas vezes não se compreende como uma mulher “tão linda” nos moldes da sociedade atual, casou-se com um homem feio, pobre e honesto (sem ambições). O coração do homem está envolvido num pacote de podridão moral, de corrupção, de valores deturpados e de frutos da carne. Precisamos deixar se sermos cegos como o fariseu e limpar primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.
Assim, como o diabo tentou Jesus no deserto ele está tentando muitos jovens que estão no meio de nós, que conhecem a Verdade Divina e já sentiram o poder de Deus em suas vidas. E dão ouvidos às palavras do maligno: “Tudo isto te darei se prostrado, me adorares.” (MT 4: 9). Acreditando na falsa promessa de que terão acesso a riqueza do mundo, deixam a vida eterna e a vontade do Pai de lado, para seguir as normas temporárias terrenas.
Apesar dos empecilhos desta vida terrena é preciso entender e praticar as palavras de Paulo: “Antes como ministros de Deus, recomendamo-nos em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angustias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigias, nos jejuns, na pureza, no saber, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus; (...)”. (2 Co. 6:7-9)
Para que haja uma purificação é necessário que seja respondida a pergunta (2 Co 6: 14 e 7:1) “Que comunhão tem a luz com as trevas?”. “Ora, amados, visto que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a impureza tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a nossa santificação no temos de Deus.”

O que tem determinado meus comportamentos enquanto cristão: os padrões bíblicos (frutos do Espírito) ou os ditames sociais (frutos da carne)? E qual é a minha gratificação: uma coroa das mãos de Cristo ou o salário do pecado, a morte no lago de fogo e enxofre?